sábado, 18 de agosto de 2007

A política e os Jogos Pan Americanos

Muitos de nós ficamos orgulhosos pelo fato dos Jogos Panamericanos de 2007 estarem ocorrendo no Brasil, e mais exatamente na Cidade Maravilhosa. Não é para menos, afinal o esporte é uma coisa importantíssima na vida das pessoas e, além disso, a economia do país também recebe um incentivo extra, afinal, o turismo brasileiro ainda tem um potencial enorme, ainda que ande muito relaxado e um tanto gozado ultimamente.

O que lamentamos é o fato de que muita gente que pouco ou nada fez pelo esporte ou pelo turismo venha faturando tanto e dando tão pouco retorno ao país. Isto lembra a nossa política num sentido mais abrangente, pois nela também vemos muitos espertalhões faturando alto sem dar contrapartida alguma ao nosso povo.

É inevitável fazermos algumas constatações e, nelas, encontrarmos alguns aspectos comuns: Primeiro, vem o fato já citado de que em ambos os casos encontramos os espertalhões de sempre que, entre década, sai década, continuam sem largar o osso; depois vêm as obras superfaturadas que, como sempre, são construídas sem uma consulta ao povo e sem um projeto de longo prazo; em seguida vem a temporada de revelações (salvadores da pátria) que todos passam a incensar na esperança de que nos tragam algum alento, mas que depois, por falta de oxigênio (investimento e seriedade por parte das instituições), ou ficam ao deus-dará ou passam a faturar uns caraminguás por causa de sua condição de “celebridade” (muito presentes na mídia), que pouco acrescentam ao esporte ou à política; por fim vem a conta e esta é salgada e certa, mas, como sempre, tem aqueles que continuarão pagando e gritando da geral sem interferir no resultado

sexta-feira, 20 de julho de 2007

O que explicaria o comportamento suicida dos nossos políticos?

Uma das principais características dos seres humanos é o instinto de auto-preservação. Basta uma ameaça qualquer, e eis que seu corpo reage com rapidez e precisão, buscando o equilíbrio, a segurança e a integridade.

Evidentemente, a nossa cultura interfere nas nossas atitudes e escolhas e é aí que as coisas começam a ficar um pouco mais complicadas que no restante do reino animal. A busca de status, os desvios de caráter, os traumas etc. nos fazem tomar atitudes que parecem pouco explicáveis do ponto de vista biológico e mesmo social. Creio que este seja o caso dos políticos brasileiros que, salvo raríssimas exceções, vêm tomando atitudes que chegam às raias do absurdo.

Vejamos o caso do Senador Renan Calheiros que, sendo acusado de pagar pensão a uma filha que teve fora do casamento com dinheiro vindo de fontes escusas, usa sua influência para nomear para relator do caso o seu amigo Senador Epitácio Cafeteira. Este, de pronto, e sem proceder as devidas investigações, decidiu de antemão que Calheiros era inocente e que o caso seria arquivado por falta de provas.

Ocorre que no mesmo dia em que o ilustre senador emitiu seu juízo, a Rede Globo de Televisão (que também não é flor que se cheire) levou ao ar uma reportagem na qual acusava Renan Calheiros de usar notas frias em sua defesa. A situação ficou insustentável e sugeriu-se que a sessão na qual ocorreria a votação na qual se decidiria se o Senador Calheiros seria declarado inocente ou se seria submetido a uma investigação fosse adiada. Foi o bastante para o senador Cafeteira ficar furibundo e ameaçar abandonar a relatoria do caso. Em qualquer país sério do mundo isto seria quase um suicídio político, sobretudo num momento em que a população dá mostras de já não suportar mais este estado de coisas.

Posteriormente, alegando que fora convencido pela esposa (história esquisita), Epitácio Cafeteira cedeu e aceitou a sugestão de adiar a votação. As perspectivas, no entanto, são de que o senador Calheiros, ex-braço direito de Collor e atualmente aliado de Lula (vai entender), seja declarado inocente por apertada margem de voto.

Busquei explicações para o comportamento esdrúxulo dos nossos políticos e acabei de encontrar uma possibilidade: acho que eles devem ter feito aqueles cursos de LindenScript e andam navegando muito na Second Life (ambiente de realidade virtual) e têm sido tão aplicados que perderam a noção da prosaica realidade dos comuns mortais.

Isto me fez lembrar o filme Matrix, cujo protagonista se chama Neo; no nosso caso, como os valores estão invertidos, o protagonista carrega na sua condição a idéia oposta ao novo (Neo) pois traz no seu radical a idéia de velho (senador = senator que vem de senex = senil).
Está na hora de acordarmos e lutarmos para mostrarmos a esses senhores que a democracia não é esse achincalhe