sexta-feira, 20 de julho de 2007

O que explicaria o comportamento suicida dos nossos políticos?

Uma das principais características dos seres humanos é o instinto de auto-preservação. Basta uma ameaça qualquer, e eis que seu corpo reage com rapidez e precisão, buscando o equilíbrio, a segurança e a integridade.

Evidentemente, a nossa cultura interfere nas nossas atitudes e escolhas e é aí que as coisas começam a ficar um pouco mais complicadas que no restante do reino animal. A busca de status, os desvios de caráter, os traumas etc. nos fazem tomar atitudes que parecem pouco explicáveis do ponto de vista biológico e mesmo social. Creio que este seja o caso dos políticos brasileiros que, salvo raríssimas exceções, vêm tomando atitudes que chegam às raias do absurdo.

Vejamos o caso do Senador Renan Calheiros que, sendo acusado de pagar pensão a uma filha que teve fora do casamento com dinheiro vindo de fontes escusas, usa sua influência para nomear para relator do caso o seu amigo Senador Epitácio Cafeteira. Este, de pronto, e sem proceder as devidas investigações, decidiu de antemão que Calheiros era inocente e que o caso seria arquivado por falta de provas.

Ocorre que no mesmo dia em que o ilustre senador emitiu seu juízo, a Rede Globo de Televisão (que também não é flor que se cheire) levou ao ar uma reportagem na qual acusava Renan Calheiros de usar notas frias em sua defesa. A situação ficou insustentável e sugeriu-se que a sessão na qual ocorreria a votação na qual se decidiria se o Senador Calheiros seria declarado inocente ou se seria submetido a uma investigação fosse adiada. Foi o bastante para o senador Cafeteira ficar furibundo e ameaçar abandonar a relatoria do caso. Em qualquer país sério do mundo isto seria quase um suicídio político, sobretudo num momento em que a população dá mostras de já não suportar mais este estado de coisas.

Posteriormente, alegando que fora convencido pela esposa (história esquisita), Epitácio Cafeteira cedeu e aceitou a sugestão de adiar a votação. As perspectivas, no entanto, são de que o senador Calheiros, ex-braço direito de Collor e atualmente aliado de Lula (vai entender), seja declarado inocente por apertada margem de voto.

Busquei explicações para o comportamento esdrúxulo dos nossos políticos e acabei de encontrar uma possibilidade: acho que eles devem ter feito aqueles cursos de LindenScript e andam navegando muito na Second Life (ambiente de realidade virtual) e têm sido tão aplicados que perderam a noção da prosaica realidade dos comuns mortais.

Isto me fez lembrar o filme Matrix, cujo protagonista se chama Neo; no nosso caso, como os valores estão invertidos, o protagonista carrega na sua condição a idéia oposta ao novo (Neo) pois traz no seu radical a idéia de velho (senador = senator que vem de senex = senil).
Está na hora de acordarmos e lutarmos para mostrarmos a esses senhores que a democracia não é esse achincalhe